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Como a Medicina se encontra com o Metaverso?

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Certamente foi uma das expressões mais utilizadas em 2022 por executivos, profissionais de tecnologia ou adeptos de inovações. Mesmo aqueles que desconhecem o real significado desse conceito, provavelmente já ouviu ou leu bastante sobre ele nos últimos meses. Quem não conhece, é melhor se informar quanto antes. As possibilidades do Metaverso já estão batendo nas portas das organizações – principalmente no setor de saúde.

Resumidamente, podemos entendê-lo como ambientes de integração entre o on-line e off-line, permitindo máxima interação e imersão para as pessoas por meio de tecnologias como realidade aumentada e virtual, criptoativos e inteligência artificial.

Na prática, o usuário terá um avatar (uma espécie de personagem) e pode fazer digitalmente tudo o que faz em sua vida e, aí entra o grande diferencial, a mesma experiência. Por exemplo: ele pode acessar e acompanhar uma reunião de negócios que simula um encontro presencial, mas com seu corpo físico na sala de estar de sua casa.

Porém, reduzir a vantagem do Metaverso à possibilidade de melhorar reuniões de trabalho é pouco diante das oportunidades que já começam a surgir. Na medicina, a expectativa é grande para a construção e consolidação desses ambientes. A área, obrigada a passar por intensa aceleração digital com a pandemia de covid-19, deve passar novamente por mais uma revolução promovida pela tecnologia – isso enquanto muitos médicos e hospitais continuam se acostumando com telemedicina e gestão de dados digitais.

Para se ter uma ideia, oito em cada dez executivos globais da área de saúde (81%) acreditam que o Metaverso causará um impacto positivo em suas organizações, segundo um estudo conduzido pela Accenture. Não bastasse isso, praticamente metade deles (49%) afirmaram que esse impacto será significativo ou transformador.

Das aulas às cirurgias complexas: o encontro entre Metaverso e Medicina

Trata-se, na verdade, de mais uma expectativa e desejo dos profissionais de medicina do que um movimento já estabelecido no setor. Os projetos do Metaverso em saúde, assim como em outras áreas, continuam em fase inicial de implementação. Ou seja, ainda não atingiram a maturação necessária para se consolidarem na rotina médica. Mesmo assim, já indicam caminhos interessantes para as organizações.

É inegável que, para funcionar, um ambiente médico imersivo depende da boa utilização de dados em paralelo à utilização da tecnologia. Não adianta oferecer possibilidades interativas aos pacientes se consultórios e hospitais não tiverem uma visão completa do perfil e do histórico dessas pessoas. É algo que já se observa atualmente com a telemedicina: a solução tecnológica precisa estar conectada ao sistema de gestão de informação do médico.

Diante disso, duas possibilidades surgem neste primeiro momento. A primeira delas diz respeito ao jovem que ainda cursa Medicina na universidade. As aulas podem ganhar uma nova dinâmica a partir dos ambientes imersivos. Já pensou, por exemplo, na possibilidade de aprender anatomia com uma visão no corpo humano?

O segundo ponto neste início do metaverso envolve as próprias consultas médicas. Com a telemedicina, é possível conversar com o médico por plataformas de vídeo. Mas se o consultório oferecer um ambiente imersivo que emula seu espaço físico, o paciente pode ter uma melhor experiência e até compartilhar por meio de documentos criptografados os exames laboratoriais e de imagem que tenha feito.

Já em um estágio avançado de consolidação, a esperança é que o metaverso possa melhorar e otimizar ainda mais a realização de cirurgias complexas. Se hoje muitos profissionais participam de chamadas de vídeo para orientar profissionais, com a criação de um ambiente próprio é possível elevar a interação a outro patamar, garantindo que essa troca de informações realmente traga vantagens para todos. É claro que não se trata de fazer uma operação no seu avatar, mas sim de representá-lo fidedignamente para garantir uma visão completa a todos os envolvidos.

Metaverso ainda possui obstáculos na área de saúde

As tecnologias de acesso ao Metaverso já existem há algum tempo, como ferramentas de realidade aumentada e criptoativos. Mesmo assim, o conceito ainda esbarrará em obstáculos tecnológicos, operacionais e legais até se consolidar, de fato, no setor de saúde. É um processo que pode levar décadas.

O primeiro desafio, evidentemente, é a própria tecnologia. Por mais que as soluções já existem no dia a dia, para que elas possam atuar em conjunto é necessário ter uma velocidade de conexão muito maior. O 5G, que chegou ao Brasil apenas em julho de 2022, promete resolver essa pendência. Entretanto, sua implementação ainda é a conta-gotas, atendendo primeiro os grandes centros e só depois as cidades de médio e pequeno porte. A expectativa para que todo o território brasileiro seja coberto por essa conexão é em 2029.

Há também as barreiras operacionais, relacionadas à própria adaptação de médicos, enfermeiros e pacientes a esta nova realidade. A transformação digital na saúde, por exemplo, só tomou forma graças ao avanço da pandemia de covid-19 – que obrigou as organizações a apostarem nas ferramentas tecnológicas. Antes, não era raro encontrar profissionais de saúde que se recusavam a utilizar equipamentos eletrônicos em suas consultas. Logo, levará tempo para que o Metaverso seja visto como uma possibilidade.

Por fim, não podemos nos esquecer das questões legais e jurídicas que norteiam o setor de saúde. É necessário criar regras, impor condições e, claro, garantir que a prestação de serviço médico seja de qualidade fora – e dentro – do ambiente imersivo proporcionado pelo Metaverso. Em outras palavras, é preciso determinar leis que irão proteger os direitos e deveres dos pacientes e garantir maior transparência a médicos e demais envolvidos no atendimento.

Como se vê, o Metaverso promete revolucionar a área médica, mas ainda há mais dúvidas do que certezas sobre sua real utilização – aliás, como toda novidade que surge pelo mundo. Mesmo assim, não é exagero dizer que se trata de um caminho sem volta para a sociedade como um todo, inclusive a medicina. Cedo ou tarde, os ambientes imersivos surgirão nos consultórios e hospitais. Quando isso acontecer, é melhor estar pronto para todos os desafios que virão. O futuro da saúde já começou.

* Tiago Delgado é sócio-fundador da Medicina Direta, empresa especializada em gestão e serviços digitais para clínicas e consultórios

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